segunda-feira, maio 25, 2015
Sobre flores e cores
Pra ler ouvindo ♪
Ontem mesmo, depois de um longo hiato ele resolveu aparecer, com aquele ar de quem nunca tinha ido embora e ao mesmo tempo aquele escudo que não deixa ninguém aproximar mais que um aperto de mãos. De novo ele ainda é o mesmo. O mesmo durão, cheio de neuras, de cara emburrada e ar de quem não se importa. De novo ele ainda é o mesmo. O mesmo inseguro, cheio de sonhos, de olhar vago e ar de quem se sente só.
Talvez ele não faça ideia do quão triste seja viver em casulos, capas e armaduras. Viver somente de contagem de dias, sem de fato respirar a vida a plenos pulmões. Foi uma escolha fria, racional e decidida, de uma forma que muito o orgulha, mas que me provoca arrepios. Encantar, apaixonar e mergulhar talvez sejam minhas maiores necessidades. Desse jeito ele se acha imortal, eu o acho apenas um pedaço de solo incapaz de florescer junto a primavera.
Inconformo-me somente por conhecê-lo a ponto de saber que por dentro ele é flor. Dessas que nascem em ambientes áridos, mas flor. Cor. Vida. Lamento-me por ele quase matá-la todo dia, e alivio-me por ela precisar de tão pouca água pra sobreviver. Depois me pego pensando o porquê de eu ainda me inconformar, lamentar ou aliviar por um jardim tão secreto que nunca se foi visitado. Logo eu que mato violetas por falta de tato, me obrigo a ser paisagista de quintal alheio.
Assumo o sacerdócio de colorir vidas de pessoas como se não houvesse a opção de recursar. Mas entendo que cores vivas não se destacam sobre um escala de cinza a preto. Reconheço, por fim, que gente monocromática entedia fácil quem é colorido.
Ontem mesmo ele voltou aqui, mais uma vez eu não lhe ganhei. De novo não fui eu quem perdi
domingo, fevereiro 08, 2015
Carta pra quem já foi
Pra ler ouvindo
Eu deixei ir. Doeu. Mas foi. Com todos os medos e expectativas que nunca foram nem seriam superadas. Durante muito tempo eu achei que isso nunca ia acontecer, mas sabe, acontece quando a gente quer.
Eu deixei ir. Doeu. Mas foi. Com todos os medos e expectativas que nunca foram nem seriam superadas. Durante muito tempo eu achei que isso nunca ia acontecer, mas sabe, acontece quando a gente quer.
Um dia a gente cansa de dar murro em ponta de facas. A gente
acorda, se matricula na academia, muda o cabelo, apaga todos os vínculos
virtuais e vai. Vai tentar ser feliz, conhecer gente nova e, por vezes, repetir
erros antigos.
Mas sobre uma coisa me iludiram nesse novo mundo sem você, me
disseram que tinha um tanto de gente legal por aí, e eu não achei. Não achei
ninguém que entendesse minha fixação por datas, nem ninguém que gostasse de
escutar “música chata” naquele botequim cheio de pessoas senis que eu adoro ir
às quintas-feiras.
Procurei em boate, pagodes, no Tinder e no ambiente de
trabalho, mas por ninguém eu trocaria um sábado de churrasco com meus amigos,
como fazia para estar com você. Tentei pessoas iguais a mim, pessoas totalmente
opostas e nada.
E contando assim você pode até achar que foi um suplício
muito grande te procurar em novos rostos, mas no meio dessa procura quem eu
acabei perdendo foi você. De uma forma pouco explicável você também não se
encaixava mais aqui.
Eu ri quando percebi isso tudo, como também ri quando me
peguei usando das armas de sedução semelhantes a sua com uma pessoa que
dificilmente eu prolongaria o relacionamento.
Eu ri quanto te vi sendo feliz de uma forma que nunca tinha
visto. Tenho certeza que você riu quando me viu realizando sonhos.
Rimos, mesmo que se pudéssemos prever isso antes
apostaríamos todas as fichas no choro.
Você foi. Eu também fui. O que precisávamos um do outro foi
conosco. E agora quero vindas, pra vida inteira ou até semana que vem.
Sorte para as idas. Amor para as vindas. Felicidades pra
nós.
sexta-feira, novembro 21, 2014
O ermitão e a amante
“Se não for pedir muito, não seja tão pouco” ela repetia mentalmente cada vez que ele fugia do amor. Ela não sabia se sua intuição andava
falha ou se era realmente verdade essa sensação falsa que ela sentia toda vez
que ele maldizia as paixões.
Ela insistia em dizer que ele usava uma máscara barata de camelô, remanescente de um baile passado que ele decidiu levar para o resto da vida. Um Pierrot que amava a Colombina e foi trocado por um Arlequim. No carnaval de 1998.
Ela insistia em dizer que ele usava uma máscara barata de camelô, remanescente de um baile passado que ele decidiu levar para o resto da vida. Um Pierrot que amava a Colombina e foi trocado por um Arlequim. No carnaval de 1998.
Desde então ele foi fiel à cachaça, e só. Mas ela acusava-o:
a cara de durão não sustenta três doses de Red Label, o galinha da noite se desfaz
na primeira criança que ele pega no colo e as canções clichês já estão listadas
no iPod, só esperando uma moça certa.
Essa fantasia de Pierrot Alcoólatra não colava mais, ela argumentava.
Ele a encarava e não sorria. Consenso ou preguiça de discutir? Consenso ela garantia,
mas sem sucesso em convencê-lo a trocar o amargo Campari por uma maçã do amor
da quermesse.
Ainda ontem encontrou com ele no bar. Bem aprumado, copo
cheio e olhar vago. Ela não se aguentou, pegou um guardanapo e escreveu “Eu não
sei quem disse que não, mas o amor lhe cai bem, rapaz. Um sorriso no rosto
também”, fazendo o garçom de porta-voz.
Não duvidou que ele tenha dado um sorriso de canto de boca
quando leu o bilhete, mas não ficou pra ver sua reação. Gente que precisa de
pouco amor não pode oferecer muito, aprendeu ela, depois de tantos carnavais.
sábado, novembro 08, 2014
escreVER
Senta.
Abre o Word.
Digita.
Apaga.
Digita.
Distrai.
Abre outra guia, lê uma crônica.
Será que a Tati Bernardi sofre tanto pra escrever?
Coloca o chá de hortelã na fusão.
É sobre o que, mesmo?
Amor? Saudade? Vontade? Tesão?
Beberica o chá.
Precisa de açúcar.
(o chá ou o texto?)
Escreve.
Tá clichê, apaga.
Mas o amor não é clichê?
O chá esfriou.
“O documento foi salvo automaticamente”
Salvo de quem?
A gente só quer escrever.
Pra se encontrar.
E pra se esconder.
De quê?
Se soubesse não precisava escrever.
terça-feira, outubro 07, 2014
Até amanhã (fica?)
Essa não é uma carta de amor, pra se declarar ou jurar um
relacionamento eterno. Essa é uma carta de quem nem sabe o que é amor ao certo
e de quem morre de medo dele. Essa é uma carta de quem só quer que isso dure
até amanhã, mas que se for bacana e se estender até depois de amanhã, tudo bem
também.
Eu sei que você mal chegou e já tá indo, mas eu e esse meu
jeito de não saber dosar as coisas - ou demonstro muito interesse ou nenhum –
queríamos que você ficasse mais um dia, só pra ver que as primeiras vezes são meras encenações de pares perfeitos.
Fica mais um dia pra ver que eu adoro futebol-e-cerveja,
sei a regra de impedimento e a escalação do meu time. Pra ver que eu canto mal pra
caramba e é exatamente por isso que eu adoro um karaokê. Pra ver que eu não
tenho muito traquejo social. Pra ver que sou brega e ouço Fagner fazendo
coreografia. Pra ver que quanto mais sem graça é a piada mais eu gargalho.
Fica pra amanhã a gente rir de hoje e mesmo sem intimidade
nenhuma travarmos uma briga sobre quem de nós dois é mais idiota. Vamos bradar
argumentos de defesa e acusação alternados com travesseiradas e risos
escandalosos. Depois vamos diminuir a euforia e pensar que tudo isso é muito
bom, mas nossa oposição de ideias políticas nos mantém certos de que isso não vai longe demais.
Fica pra deixar mais chances para a saudade aparecer e daqui
10 anos a gente se perguntar “era bom, porque aquilo não deu certo?”. Fica pra
deixar arestas para a gente aparar sem compromisso em alguns encontros no
futuro. Fica pra você ter mais argumentos para ir embora e pra dar tempo de
levar mais alguns sorrisos embrulhados pra viagem, pode ser que você precise
deles no caminho.
quinta-feira, setembro 11, 2014
A fragilidade do nunca mais
Hoje eu acordei sem noção de onde havia dormido. Ainda
estava zonza da noite anterior e a primeira coisa que veio a cabeça foi o
arrependimento por ter exagerado na vodca. Eu já devia ter aprendido que ela
age de forma potencializada no meu corpo.
Olhei pra o lado tentando me localizar e te achei dormindo
com uma cara cheia de paz. Naquele momento os efeitos da ressaca se multiplicaram
por 10. Não acreditei que eu tinha feito aquilo, recair depois de tanto tempo
me mantendo firme era um absurdo. Então lembrei que ontem o absurdo era eu não obedecer
ao que eu queria. Estava indo tudo tão bem, sabe?! Eu nem ouvia mais a nossa
música tocando, já achava que o Cazuza tinha razão.
Continuei te olhando e relembrando cada motivo que tinha me
feito entrar e sair da sua vida. A fala calma, o sorriso lindo e uma penca de
divergências que nos fazia disputar argumentos com mais rivalidade que um
FlaxFlu. E percebi que esses eram exatamente os mesmos motivos que me fizeram
sentar ontem ao seu lado, com pose de bem resolvida e ao mesmo tempo com tanta
saudade do seu abraço.
Pensei que esse clichê de amor e ódio deve ser mesmo
verdade, andam tão juntos que deveria ser amoreódio, assim, numa palavra só. Eu
sei que Hollywood já explorou esse tema com exaustão, mas a dúvida sobre o que fazer
continua sendo um roteiro atual, e eu não sabia se me aninhava nos seus braços
ou se saía pé-ante-pé, rezando para que a vodca tivesse me presenteado com uma
amnésia alcoólica em você.
Por fim eu decidi que ir embora seria a coisa mais sensata
(não a melhor) a se fazer. Conferi sua estante de discos mais uma vez, para
continuar não ouvindo nada que me lembrasse de você, vi sua coleção de filmes
- muito maior que antes - e decorei alguns títulos para assistir depois. Quando
estava quase fechando a porta te olhei de novo e consegui entender: as pessoas
passam, mas um pouco delas ficam na gente. Voltei e te deixei um beijo na
testa, to levando seu cheiro comigo.
quarta-feira, julho 09, 2014
Voz viva
Eu acabei de descer do táxi e ainda não consigo digerir bem essa coincidência. Tanto tempo que não ouço falar de você, que eu não poderia imaginar que sua lembrança me apareceria assim, tão do nada, no meio da minha pressa e de bagagens pesadas, tentando não perder o ônibus.
O radinho do táxi estava alto, como sempre, e no meio da minha distração eu ouvi sua voz, pedindo um carro no endereço que eu sabia de cor. Mas eu nem precisava saber, a lembrança da sua voz ainda era viva o suficiente em mim, suficiente para que eu a identificasse no "alô". Naquela hora eu parecia estar com uma meia sufocando minha respiração enquanto as mãos suavam demasiadamente.
Eu acabei de chegar à rodoviária e já estou acomodada na poltrona do ônibus, mas minha cabeça foi embora junto daquele táxi. E eu não paro de imaginar como seria chegar à porta da sua casa dentro dele. Como você reagiria? O que eu falaria?
Faltam poucos passageiros para partirmos, mas meu coração ainda ta ressoando aquele endereço, aquela voz. Ta no repeat, toda hora eu fecho os olhos e ouço de novo, igual eu faço quando quero memorizar uma música. Para onde você estava indo? Não era para estar trabalhando? Será que você ta de férias e também estava indo viajar? E se eu descesse do ônibus e esperasse?
O ônibus já começou a andar e eu ainda estou imóvel. Meu coração ainda está acelerado como se toda nossa confusão tivesse acontecido ontem. Porque eu não peguei o outro lado da linha e respondi: "olha, sou eu, te amo, ainda quer voltar?". Mas eu já to indo embora, sabendo que eu agi certo, mas sem conseguir ser eloquente o suficiente convencer alguma parte de mim disso.
Já estou quase chegando, já passou a estrada toda e meu pensamento vaga sem sentido. Eu descobri que sei nada mais sobre seus passos, que você não sabe mais que discos eu ouço e que dificilmente a gente vai ter coragem de se ligar para saber do outro, por mais que não falte vontade. Resta-nos apenas aceitar que esse amor foi tão aleatório quanto tomar um táxi, tão breve quanto uma corrida e tão caótico quanto a hora do rush.
sexta-feira, junho 06, 2014
Jaz
Dribla o risco de vida
Egoísmo da semi-vida
Briga com o seguro de vida
Fim do ciclo da vida
Na dúvida sobre os paradoxos da vida
Sobra a morte...
Poxa vida
terça-feira, abril 22, 2014
Mini conto sobre dor, amor e amigos
Augusto hoje me chamou
para tomar uma brisa. Nessas horas a gente guarda toda inércia que nos faz
querer ficar em casa e vai, porque ver o mar acalma e um pedido amigo não se
nega. Quando a gente ta mal, a gente pede aos céus alguma forma de passar por
cima disso, e pra quem acredita, essa ajuda vem. Pra mim veio pelo meu amigo,
que não me disse nenhuma palavra de conforto, mas me fez descobrir que, por
vezes, nossas dúvidas não precisam de respostas imediatas.
Augusto também tinha uma dor, que eu não sei precisar na escala de dores se era maior ou menor que a minha. Mas não era a minha, o que me fez facilmente discorrer uma longa explicação do porquê a gente precisa passar por aquilo. O Augusto não ouviu, chorava demais para ouvir aquilo. E eu me surpreendi ao perceber que eu falava tanto era para mim mesma.
Deixei o Augusto com outro
amigo e voltei pra casa pensando sobre as dores que a gente passa. Depois dessa
tarde a minha é menos pesada. Não por que eu a dividi com alguém, mas por que, mesmo
contrariando a matemática, ao somá-la a outra, ela diminuiu.Augusto também tinha uma dor, que eu não sei precisar na escala de dores se era maior ou menor que a minha. Mas não era a minha, o que me fez facilmente discorrer uma longa explicação do porquê a gente precisa passar por aquilo. O Augusto não ouviu, chorava demais para ouvir aquilo. E eu me surpreendi ao perceber que eu falava tanto era para mim mesma.
Augusto
acha que agora ele precisa de um porre, uma viagem e um novo amor. Também acho
que ele precise. Mas desejo, de verdade, que ele encontre alguém com outra dor
para somar, e respirar um pouco mais aliviado ao entender o que eu entendi hoje.
quinta-feira, março 27, 2014
Talvez o fim
Para ler ouvindo
Não vou procurar seu cheiro pelos lençóis, porque é certo
que vou encontrar. Aliás, preciso anotar na agenda de colocar toda a roupa de
cama na lavanderia. Em períodos de abstinência não posso correr o risco de te
achar perdido por aqui. As fotos já foram. Não viraram cinzas porque não queimo
o passado, mas saíram do mural e foram morar em uma caixa junto a outras
experiências mal sucedidas.
Já fumei mais que devia hoje. Eu sei que te jurei parar, mas
ou eu me afasto de você ou do cigarro, dos dois eu não aguentaria. Sei que meu
coração tá frágil, bateu mais que o normal dias atrás, mas o doutor não soube
me dizer se foi saudade ou algo menos sério.
Já tomei meu chá da noite, por mais que preferisse que fosse
uma cerveja naquele bar que a gente sempre frequentou e hoje não vamos mais, um
com medo de encontrar outro. A separação é realmente confusa. Você também se confunde
entre tentar se esconder e ser feliz?
A felicidade ainda mora aqui. Minha gargalhada ainda é
escandalosa, não se preocupe. Falta algo que talvez nem seja você, ou nem seja
pra ser suprida. Talvez nem fosse pra ser. Talvez o tempo tenha falhado, ou
talvez ainda, esteja em um acordo com o destino, preparando algum outro ‘talvez’
mais exato.
Tanto talvez que no fim não deu certo. Mas, tenho certeza,
não ter fim também não daria.
segunda-feira, março 10, 2014
Escarcéu
Logo o mar
Que do doce sempre se origina e a cabeça lhe desatina,
Ao léu
Logo a maresia
Que úmida e fina lhe domina
E lhe faz réu
Logo a traquina
Com pose de bailarina, que nunca declina
E quer o céu
Logo ela
Que sempre desafina, mas virou maestrina
Em cima do bailéu
Logo essa menina
Que arde como uma tristeza fina, em minha rima submarina,
Virou troféu.
Que do doce sempre se origina e a cabeça lhe desatina,
Ao léu
Logo a maresia
Que úmida e fina lhe domina
E lhe faz réu
Logo a traquina
Com pose de bailarina, que nunca declina
E quer o céu
Logo ela
Que sempre desafina, mas virou maestrina
Em cima do bailéu
Logo essa menina
Que arde como uma tristeza fina, em minha rima submarina,
Virou troféu.
sexta-feira, fevereiro 14, 2014
Monólogo dos quereres
Desculpe-me começar
falando assim, sem floreio nem rodeio, mas há tempos uma dúvida me angustia: o
quanto de beleza há no querer? Um querer desses cheios de certeza. Querer,
moço, sabe como? Como quem quer um sorvete de chocolate em um dia calorento.
Não, não é amar. Amar é outra coisa. Diferente, muito diferente. Amar é
precisar. Eu não preciso, eu quero! Hã? Não há doçura? Pois pra mim só há. O
que é mais livre: necessitar ou querer? Pois pra mim o querer é desprezado.
Conheço quem ama sem querer, mas não é lindo querer amar? Não? É sim. O querer
assume todos os riscos do que quer. O amor não! As pessoas amam o que a sorte
diz, o querer quer o que escolhe, simples né?! Não, não é assim, não é um querer
simples é "querer querer", "querer bem", "querer estar
perto", conheço tanto amor que não quer, que não se suporta mais. Ainda há
amor, mas falta o querer. Querer é escolher estar, mesmo que não haja nenhuma
amarra que faça ficar. Não é magnífico? E quanto ao não querer? Ele é o maior
desamor que existe, não concorda? Pois quando se ama e não se quer, não adianta
mais o amor. Tô sendo racional? Talvez. Mas pra mim o querer é colorido,
cheiroso e tem muito valor. Não acha, moço? Ei, volta aqui, me ajuda, não
acabaram minhas indagações. Você não quer ouvir mais? Espera, ainda tenho outra
dúvida, moço: E afinal, querer é poder?
quinta-feira, janeiro 30, 2014
Novos anos
![]() |
| Anne Frank |
Todos os anos minutos antes do réveillon eu fico com uma
angústia de deixar aquele ano ir embora. Bom ou ruim o apego com aquele jeito
de fazer as coisas me ronda e me questiona se é mesmo preciso mudar tudo
completamente. Mas eis que chega a contagem regressiva, e aquele coro do 10 ao
Feliz Ano Novo empurra todo o medo pra lá e enche o peito de uma vontade de
fazer tudo diferente.
Tenho minha relação íntima com o ano novo, e um misto de
amor e ódio com mudanças. Algo mais incerto que desejar mudar e morrer de
saudade do que já passou? Mas são de réveillons que vivo minha vida. É réveillon
toda vez que eu estou diante de uma grande mudança, a decisão sufoca até
começarmos a contar os segundos e depois alivia.
Réveillon é recomeço, e recomeçar é continuar sendo você, só que de outro ângulo. É
fazer de cada primeiro de janeiro uma renovação e de cada dia um novo primeiro
de janeiro. É ir, vir, voltar, contornar, (re)voltar e ainda se reconhecer nessa
confusão que é sermos nós mesmos.
Hoje é o ano novo chinês. Amanhã também é réveillon, o de fevereiro.
No próximo domingo é réveillon da semana e toda noite é um pequeno réveillon. O que importa, na verdade, é ser novo, seja o
ano, o mês, a semana, o dia ou a atitude.
"Ano novo/ Anos buscando/ Um ânimo novo” - Leminski.
sábado, dezembro 21, 2013
Redundância
Juntei todas as frases soltas do bloco de notas do celular,
revi todos os meios poemas que deixei no rascunho do email, parei para pensar
sobre todas as dúvidas que ainda permeavam minha cabeça – mesmo depois de tanto
tempo – e ainda não sei por onde caminhar com essa meia rima que existe sobre
você.
O Tempo pela janela é poético, e eu poderia começar igual
àquela música: “chove lá fora e aqui, faz tanto frio...”, mas o suor na minha
testa avisa que talvez eu não combine com música nenhuma, e por mais que eu
queira ter uma trilha sonora, dessa vez não vai haver uma música cantando a
gente.
As canções clichês não combinam com nossa confusa relação. É
que talvez a gente não sirva para ser contado, cantando ou declamado. No máximo
seríamos personagens de algum filme de baixa qualidade, que os créditos sobem
enquanto você ainda se pergunta “Qual é a moral da história?”.
Falta moral e falta amor. Próprio ou a reciprocidade.
Teimosia tem, sobra inclusive. Sobra também aquele abraço e um monte de sonhos
perdidos na minha gaveta. Nessa gaveta tem muita coisa, sentimentos e um desejo
secreto, só falta mesmo é a coragem para rimar em outro soneto.
terça-feira, dezembro 10, 2013
Incômodo Inerte
Remexo os
lembretes
Tento
palavras que completem o pensamento
Bagunço a
mente,
A procura
de algo que me acalme o momento, em vão
Não acho
a oração que afronta
Pego uma
dose por conta
Rabisco uma anotação
Rabisco uma anotação
E tonta
busco achar um espaço, um vão
Que me
traga o vento no rosto
Que
mostre a rua onde passa o amor
E aqueles
doentes de paixão
Que
seguem sofridos e trôpegos, mas vão
E por
aqui não sobra uma rima,
Que me
responda à dúvida sem titubear:
Por que
nesse caminho louco, por aonde eles vão
Eu resolvi ficar?
sexta-feira, novembro 22, 2013
Eu não conheço o seu sorriso
Para ouvir ♪
É nublado imaginar você. A gente se conhece há tanto, mas sei tão pouco. E você deveria saber que é deveras instigante para pessoas como eu, que falam da vida toda logo no primeiro encontro, deparar com gente que se veste de mistério. Tropeço sempre naquela vontade de saber mais.
É nublado imaginar você. A gente se conhece há tanto, mas sei tão pouco. E você deveria saber que é deveras instigante para pessoas como eu, que falam da vida toda logo no primeiro encontro, deparar com gente que se veste de mistério. Tropeço sempre naquela vontade de saber mais.
Sei algo sobre seu gosto musical, muito pouco sobre sua
família e quase nada que se passa por trás desses olhos carinhosos e mudos. E ainda carrego comigo uma imensa dúvida
sobre de onde vem tanta seriedade para encarar os sinuosos caminhos da vida.
Eu te confundo sempre com uma imagem embaçada que restou
daquela nossa noite. Não defino os limites do que realmente aconteceu e do que
criou minha embriaguez. Lembro-me de sorrisos perdidos, abraços quentes e muita
coisa que pouco condiz com você. Quem era naquele dia, o meu ou o seu álcool?
Eu fujo do encontro dos seus olhos, tenho medo de me perder
por eles, por curiosidade ou por afeto. Eu mantenho distância e respeito todas
essas placas de “Não se aproxime” que você carrega. Eu controlo minha alma
intrometida que sempre quis te perguntar quantos amores você teve na vida, e
quantos deles você ainda carrega as dores.
quarta-feira, agosto 14, 2013
Há muito tempo, não mais
Para melhor compreensão do texto clique aqui
E ouça isso aqui
E ouça isso aqui
Você ainda se lembra de como era a gente? Pergunto porque, aos reler algumas coisas nossas, descobri que eu também não lembrava mais. A gente se acostuma com tudo, e eu me acostumei com você de longe. É estranho te rever, você continua do jeito que eu deixei e tão diferente ao mesmo tempo. Cheiro, gírias, e o jeito de me arrancar gargalhadas, tudo igual, nem parece que não somos mais aqueles recém formados cheios de medo de encarar a vida.
E a encaramos sem perceber, com a mesma distração que esquecemos nossos bons momentos. Como eu não queria, nossos passos ficaram distantes, por mais que tenham encurtado os quilômetros. As fotos descoloriram, nossa noite não clareou e nossas almas vagam por caminhos tão opostos que nunca mais se viram.
E eu, que cheguei a achar que nossas paralelas se cruzariam outra vez, vejo hoje o tamanho da estupidez que é reviver um amor que já se desfez.
E a encaramos sem perceber, com a mesma distração que esquecemos nossos bons momentos. Como eu não queria, nossos passos ficaram distantes, por mais que tenham encurtado os quilômetros. As fotos descoloriram, nossa noite não clareou e nossas almas vagam por caminhos tão opostos que nunca mais se viram.
E eu, que cheguei a achar que nossas paralelas se cruzariam outra vez, vejo hoje o tamanho da estupidez que é reviver um amor que já se desfez.
"Te quero/ Dizer que não quero/ Teus beijos nunca mais"
sexta-feira, agosto 02, 2013
Um amor email
Eu não sei ainda como começar a dizer isso, mas talvez eu
tenha achado um novo amor. Não exatamente novo e não exatamente amor, mas alguém
que meu coração tenha olhado, depois de tanto tempo parada na sua estação. Eu não
sei o que fazer e nem decidi ainda se clico no enviar quando
terminar de escrever esse email, mas é que eu nunca imaginei que fosse tão confuso toda
essa transição de amores.
Eu me acostumei com você - não em ter você, isso eu nunca
tive – decorei seus gostos, seu disco preferido e como adoçar seu café, mas não
sei de que me vale agora, saber disso tudo. E é esse sentimento de não saber o
que fazer com todos os planos que me confunde. Ainda falo seu nome no ato falho
e guardo como exclusivamente nosso aquele ritual que a gente fazia toda vez que
ia dizer eu te amo. Um dizia, o outro abraçava, falava “eu também”, apertava o
abraço e sempre completava com o “muito”. Nós dois conhecíamos a angústia que
respostas genéricas como “também” causava na gente.
Mas meu novo amor é bom, e espero que você fique feliz por isso. Ao contrário do Chico, eu espero que você se alegre ao sentir que sem você eu passo bem demais. Ele não torce pro Vasco e tem alguns problemas mal resolvidos pela vida, mas dá pra ser feliz mesmo assim, né?!
Mas meu novo amor é bom, e espero que você fique feliz por isso. Ao contrário do Chico, eu espero que você se alegre ao sentir que sem você eu passo bem demais. Ele não torce pro Vasco e tem alguns problemas mal resolvidos pela vida, mas dá pra ser feliz mesmo assim, né?!
Sabe, ele me faz sorrir, e por ora é só isso que importa.
Acho que é só isso.
Fique bem, e nunca esqueça que te amei, muito (e de abraço apertado).
terça-feira, julho 02, 2013
Mas que perder seja o melhor destino
Eu não sei em que cruzamento da
vida a gente se perdeu. Sei que, por mais que não tenha passado tantos dias
assim, parece que foi há meses. A lembrança fica demasiadamente distante cada
vez que tento lembrar. Ela esfumaça tanto que eu tusso e acho melhor deixar pra
lá, essa fumaça me incomoda tanto quanto a do cigarro, agora que sou ex
fumante.
E nesses
curtos quarteirões que eu percorri sozinha eu descobrir um novo mundo. Onde faz
sol, bate uma brisa gostosa a noite e vira e mexe cai uma estrela cadente, tão
lenta que consigo fazer alguns pedidos. Eu mudei também. Foi necessário me
tornar outra pessoa, para que, ao tentar lembrar da gente, eu estranhe não só
você. Clareei os cabelos, tá com um tom de morena de praia (talvez para
combinar com o sol constante), ando com eles ao vento agora, por mais que já
tenha crescido o suficiente para se prender sozinho em um coque.
Agora eu uso batom. VERMELHO,
acredita? Pois é, nem eu! Mas combinou bem com as unhas. Tô descobrindo alguém
que vivia aqui em mim e que nunca teve oportunidade de aparecer. Alguém tão
calma e serena que nem se compara a que existia antes do nosso desencontro.
Diminuí o café, troquei de perfume e estou até planejando uma viagem à Europa!
Eu não sei onde que nos perdemos,
mas provavelmente foi em uma esquina bonita, em que eu me distraí com as flores
e você com o sol se pondo. Foi tão natural e mútuo que foi verdadeiro, foi
quase feliz, quase sem dor, de uma forma que ambos desejávamos.
Mas, apesar das mudanças, ainda
uso aquele all star velho e sujo. Se um dia reconheceres meus passos, em uma
esquina qualquer, não se acanhe, me grite e me dê um tchau animado. Vou
entender dessa forma que estás feliz. Caso eu responda do mesmo jeito, mantenha
essa mesma certeza sobre minha vida.
Se sentir
saudade, lembre-se que nos prometemos um futuro feliz, independente de qualquer
coisa. Trabalhe para cumprir essa promessa, ela será nossa mais bela história
de quase-amor.
sábado, junho 29, 2013
Volte, se quiser
Primeiro você me azucrina, me entorta
a cabeça...
Você sempre chega assim, fazendo cara de cachorro que caiu
da mudança, falando manso e pedindo carinho. Tem tanto tempo, mas eu ainda
acredito. Te coloco no colo, contorno seu rosto com a ponta dos dedos, fecho os
olhos e me imagino ali, todo dia. O arrependimento vem logo depois, sempre
junto com os primeiros raios de um novo dia em que ninguém sabe como agir.
Eu já devia ter me acostumado com esse vai e vem rotineiro,
essa fuga apressada que sempre termina em um contorno que nos leva de volta ao
início - Início? Talvez a inexistência do fim seja explicada pela falta do
começo.
Enquanto você vai eu dou com os ombros e espero. Vez ou
outra eu espio sem querer ser vista, certificando-me que você encontre a volta.
Não estou certa, mas creio que você já caminhe com a certeza do retorno, porque
toda vez é assim, você vai, mas sempre volta. Volta pro meio, da história, do
caos ou de nós, não sei exatamente. Sei que volta, mais ainda não sei se é o
certo.
No nosso meio a gente nem precisa de explicação, nossos
pensamentos caóticos se aceitam e nossas vozes exageram nos pedidos de
desculpas, mesmo que nenhum de nós consiga expressar pelo quê se arrepende, se
é por ter ido ou por ter voltado.
Nosso ciclo vicioso tá gasto, não demora e ele já vai falhar
e não vamos mais caber no meio de nós. Mas se ainda não for dessa vez, e você
voltar, não se esqueça de fazer aquele seu jeito de implorar cafuné, tá?
...Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não
E essa vida da gente gritando que não
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