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sábado, janeiro 30, 2016

E por falar em você, onde anda a saudade?


Definitivamente eu escolhi o quarto errado nesta casa para dormir. Mesmo estando no quinto andar o barulho do interfone vem direto pela minha janela. Isso não seria grandes problemas se eu não esperasse todo dia por você. Ouço o barulho, conto dez segundos e fico na expectativa do porteiro ligar. Mas, de novo, é só o vizinho chinês do andar de baixo.

A cama ficou grande, e minhas pernas não cansam de procurar as suas para se entrelaçar pela madrugada. Nunca fui fã de conchinha, mas pernas entrelaçadas me asseguravam que você estava ali.
 
Está tudo bagunçado, e eu queria que isso fosse apenas seu tênis e tablet depositados em lugares estranhos, mas a bagunça tá por dentro. Tem bagunça, tem dúvida, tem insônia, só não tem você.

E você pode estar achando todas essas palavras feitas de um pieguismo sem fim, e são, concordo. Mas não se exige muito de corações e mentes sobrecarregadas. Além do mais, não se fala do simples sem ser óbvia.

Não que seja simples falar disso, mas é que... ah, não sei. Tem confusão também, tá vendo? Tem bagunça, dúvida, insônia, confusão e uma falta só minha.


Você eu sei onde andas, mas e a sua saudade, ela nunca mais vai te trazer aqui de novo?

quarta-feira, dezembro 16, 2015

A beleza das flores ao chão


Das paixões o que mais eu gosto é essa efemeridade. Essa urgência, esse corre-corre, porque se não correr evapora tudo. As paixões são carruagens que já já virarão abóbora, ou se vai pro baile com ela e volta meia noite, ou fica em casa pagando de gata borralheira sem se divertir.

Ainda ontem eu estava querendo encontrar você. Comecei a assistir um filme do Tarantino, mas não tinha você do lado para eu reclamar que tinha muito sangue, desisti. Senti falta da implicância mútua e de sempre descer correndo as escadas porque você não avisou que estava chegando um quarteirão antes para eu já te esperar na portaria.

Mas hoje eu acordei disposta, tomei meu café e caminhei tentando me encontrar. Encontrei, me encontro sempre que me esforço. Refleti sua presença e sua falta. Escolhi as lembranças. Acabou, completou seu ciclo. Finalizou.

Penso no termo “viver por completo” e entendo que acabar é isso, a finitude não me assusta, só conclui. A paixão é um sopro, um florescer de flamboyant no fim da primavera. Breve, quente e belo.

Das coisas efêmeras da vida o que eu mais gosto são as paixões. E das flores caídas aos pés dos flamboyants na chegada do verão também, claro!



sexta-feira, setembro 18, 2015

Eu tive um sonho



Era um dia ensolarado,  com uma brisa leve, dessas que nos acarinha o rosto e bagunça ao leve o cabelo. Aos meus pés havia uma imensidão que me separava do mar, que de tão azul camuflava o horizonte e se juntava ao céu, provocando uma certeza de que tudo é mesmo um grande infinito.

Estar ali em cima me fazia pequena, mas com uma possibilidade de ser enorme. Eu mantinha a espinha ereta e sorria, sem precisar fazer esforço para relaxar. Diante de tanta incerteza, de tantas amarras do medo, era a absoluta certeza de um mergulho exato, a fonte da minha calma.

Era um passo à frente para encarar o nada e ganhar tudo. Um vazio repleto de tudo. Uma contradição. Um balé no ar, uma acrobacia controlada, por mais que se jogar envolvesse nenhum controle.

Para aos que olhavam eu caia, para mim eu voava. Para os que olhavam eu morria, enquanto pra mim eu começava a viver. A vida entrou em slow motion para que eu tivesse tempo de aproveitar cada metro da delícia que é se jogar.

Você não teve coragem de pular comigo, ficou de algum canto se perguntando se eu ia mesmo fazer aquilo. Deu tempo para que você se arrependesse, mas você não pulou. Me encontrou no ar, me abraçou e me levou para terra firme, aquele lugar chato que você gosta de se sentir seguro.

Foi um abraço tímido, um beijo roubado e uma decisão rápida. Monte seu acampamento no solo, eu estou subindo de novo. Eu sou ar e você terra, um dia, em outro sonho qualquer, a gente se encontra na água.

segunda-feira, maio 25, 2015

Sobre flores e cores




Pra ler ouvindo ♪

Ontem mesmo, depois de um longo hiato ele resolveu aparecer, com aquele ar de quem nunca tinha ido embora e ao mesmo tempo aquele escudo que não deixa ninguém aproximar mais que um aperto de mãos. De novo ele ainda é o mesmo. O mesmo durão, cheio de neuras, de cara emburrada e ar de quem não se importa. De novo ele ainda é o mesmo. O mesmo inseguro, cheio de sonhos, de olhar vago e ar de quem se sente só. 

Talvez ele não faça ideia do quão triste seja viver em casulos, capas e armaduras. Viver somente de contagem de dias, sem de fato respirar a vida a plenos pulmões. Foi uma escolha fria, racional e decidida, de uma forma que muito o orgulha, mas que me provoca arrepios. Encantar, apaixonar e mergulhar talvez sejam minhas maiores necessidades. Desse jeito ele se acha imortal, eu o acho apenas um pedaço de solo incapaz de florescer junto a primavera.


Inconformo-me somente por conhecê-lo a ponto de saber que por dentro ele é flor. Dessas que nascem em ambientes áridos, mas flor. Cor. Vida. Lamento-me por ele quase matá-la todo dia, e alivio-me por ela precisar de tão pouca água pra sobreviver. Depois me pego pensando o porquê de eu ainda me inconformar, lamentar ou aliviar por um jardim tão secreto que nunca se foi visitado. Logo eu que mato violetas por falta de tato, me obrigo a ser paisagista de quintal alheio. 


Assumo o sacerdócio de colorir vidas de pessoas como se não houvesse a opção de recursar. Mas entendo que cores vivas não se destacam sobre um escala de cinza a preto. Reconheço, por fim, que gente monocromática entedia fácil quem é colorido.


Ontem mesmo ele voltou aqui, mais uma vez eu não lhe ganhei. De novo não fui eu quem perdi

domingo, fevereiro 08, 2015

Carta pra quem já foi

Pra ler ouvindo

Eu deixei ir. Doeu. Mas foi. Com todos os medos e expectativas que nunca foram nem seriam superadas. Durante muito tempo eu achei que isso nunca ia acontecer, mas sabe, acontece quando a gente quer.

Um dia a gente cansa de dar murro em ponta de facas. A gente acorda, se matricula na academia, muda o cabelo, apaga todos os vínculos virtuais e vai. Vai tentar ser feliz, conhecer gente nova e, por vezes, repetir erros antigos.

Mas sobre uma coisa me iludiram nesse novo mundo sem você, me disseram que tinha um tanto de gente legal por aí, e eu não achei. Não achei ninguém que entendesse minha fixação por datas, nem ninguém que gostasse de escutar “música chata” naquele botequim cheio de pessoas senis que eu adoro ir às quintas-feiras.

Procurei em boate, pagodes, no Tinder e no ambiente de trabalho, mas por ninguém eu trocaria um sábado de churrasco com meus amigos, como fazia para estar com você. Tentei pessoas iguais a mim, pessoas totalmente opostas e nada.

E contando assim você pode até achar que foi um suplício muito grande te procurar em novos rostos, mas no meio dessa procura quem eu acabei perdendo foi você. De uma forma pouco explicável você também não se encaixava mais aqui.

Eu ri quando percebi isso tudo, como também ri quando me peguei usando das armas de sedução semelhantes a sua com uma pessoa que dificilmente eu prolongaria o relacionamento.

Eu ri quanto te vi sendo feliz de uma forma que nunca tinha visto. Tenho certeza que você riu quando me viu realizando sonhos.

Rimos, mesmo que se pudéssemos prever isso antes apostaríamos todas as fichas no choro.

Você foi. Eu também fui. O que precisávamos um do outro foi conosco. E agora quero vindas, pra vida inteira ou até semana que vem.


Sorte para as idas. Amor para as vindas. Felicidades pra nós.

sexta-feira, novembro 21, 2014

O ermitão e a amante

“Se não for pedir muito, não seja tão pouco” ela repetia mentalmente cada vez que ele fugia do amor. Ela não sabia se sua intuição andava falha ou se era realmente verdade essa sensação falsa que ela sentia toda vez que ele maldizia as paixões.

Ela insistia em dizer que ele usava uma máscara barata de camelô, remanescente de um baile passado que ele decidiu levar para o resto da vida. Um Pierrot que amava a Colombina e foi trocado por um Arlequim. No carnaval de 1998.

Desde então ele foi fiel à cachaça, e só. Mas ela acusava-o: a cara de durão não sustenta três doses de Red Label, o galinha da noite se desfaz na primeira criança que ele pega no colo e as canções clichês já estão listadas no iPod, só esperando uma moça certa.

Essa fantasia de Pierrot Alcoólatra não colava mais, ela argumentava. Ele a encarava e não sorria. Consenso ou preguiça de discutir? Consenso ela garantia, mas sem sucesso em convencê-lo a trocar o amargo Campari por uma maçã do amor da quermesse.

Ainda ontem encontrou com ele no bar. Bem aprumado, copo cheio e olhar vago. Ela não se aguentou, pegou um guardanapo e escreveu “Eu não sei quem disse que não, mas o amor lhe cai bem, rapaz. Um sorriso no rosto também”, fazendo o garçom de porta-voz.

Não duvidou que ele tenha dado um sorriso de canto de boca quando leu o bilhete, mas não ficou pra ver sua reação. Gente que precisa de pouco amor não pode oferecer muito, aprendeu ela, depois de tantos carnavais.


sábado, novembro 08, 2014

escreVER


Senta.
Abre o Word.
Digita. 
Apaga. 
Digita. 
Distrai. 
Abre outra guia, lê uma crônica. 
Será que a Tati Bernardi sofre tanto pra escrever?
Coloca o chá de hortelã na fusão.
É sobre o que, mesmo? 
Amor? Saudade? Vontade? Tesão?
Beberica o chá.
Precisa de açúcar.
(o chá ou o texto?)
Escreve.
Tá clichê, apaga.
Mas o amor não é clichê?
O chá esfriou.
“O documento foi salvo automaticamente”
Salvo de quem?
A gente só quer escrever.
Pra se encontrar.
E pra se esconder.
De quê?
Se soubesse não precisava escrever.


terça-feira, outubro 07, 2014

Até amanhã (fica?)



Essa não é uma carta de amor, pra se declarar ou jurar um relacionamento eterno. Essa é uma carta de quem nem sabe o que é amor ao certo e de quem morre de medo dele. Essa é uma carta de quem só quer que isso dure até amanhã, mas que se for bacana e se estender até depois de amanhã, tudo bem também.

Eu sei que você mal chegou e já tá indo, mas eu e esse meu jeito de não saber dosar as coisas - ou demonstro muito interesse ou nenhum – queríamos que você ficasse mais um dia, só pra ver que as primeiras vezes são meras encenações de pares perfeitos.

Fica mais um dia pra ver que eu adoro futebol-e-cerveja, sei a regra de impedimento e a escalação do meu time. Pra ver que eu canto mal pra caramba e é exatamente por isso que eu adoro um karaokê. Pra ver que eu não tenho muito traquejo social. Pra ver que sou brega e ouço Fagner fazendo coreografia. Pra ver que quanto mais sem graça é a piada mais eu gargalho.

Fica pra amanhã a gente rir de hoje e mesmo sem intimidade nenhuma travarmos uma briga sobre quem de nós dois é mais idiota. Vamos bradar argumentos de defesa e acusação alternados com travesseiradas e risos escandalosos. Depois vamos diminuir a euforia e pensar que tudo isso é muito bom, mas nossa oposição de ideias políticas nos mantém certos de que isso não vai longe demais.

Fica pra deixar mais chances para a saudade aparecer e daqui 10 anos a gente se perguntar “era bom, porque aquilo não deu certo?”. Fica pra deixar arestas para a gente aparar sem compromisso em alguns encontros no futuro. Fica pra você ter mais argumentos para ir embora e pra dar tempo de levar mais alguns sorrisos embrulhados pra viagem, pode ser que você precise deles no caminho.

quinta-feira, setembro 11, 2014

A fragilidade do nunca mais



Hoje eu acordei sem noção de onde havia dormido. Ainda estava zonza da noite anterior e a primeira coisa que veio a cabeça foi o arrependimento por ter exagerado na vodca. Eu já devia ter aprendido que ela age de forma potencializada no meu corpo.

Olhei pra o lado tentando me localizar e te achei dormindo com uma cara cheia de paz. Naquele momento os efeitos da ressaca se multiplicaram por 10. Não acreditei que eu tinha feito aquilo, recair depois de tanto tempo me mantendo firme era um absurdo. Então lembrei que ontem o absurdo era eu não obedecer ao que eu queria. Estava indo tudo tão bem, sabe?! Eu nem ouvia mais a nossa música tocando, já achava que o Cazuza tinha razão.

Continuei te olhando e relembrando cada motivo que tinha me feito entrar e sair da sua vida. A fala calma, o sorriso lindo e uma penca de divergências que nos fazia disputar argumentos com mais rivalidade que um FlaxFlu. E percebi que esses eram exatamente os mesmos motivos que me fizeram sentar ontem ao seu lado, com pose de bem resolvida e ao mesmo tempo com tanta saudade do seu abraço.

Pensei que esse clichê de amor e ódio deve ser mesmo verdade, andam tão juntos que deveria ser amoreódio, assim, numa palavra só. Eu sei que Hollywood já explorou esse tema com exaustão, mas a dúvida sobre o que fazer continua sendo um roteiro atual, e eu não sabia se me aninhava nos seus braços ou se saía pé-ante-pé, rezando para que a vodca tivesse me presenteado com uma amnésia alcoólica em você.

Por fim eu decidi que ir embora seria a coisa mais sensata (não a melhor) a se fazer. Conferi sua estante de discos mais uma vez, para continuar não ouvindo nada que me lembrasse de você, vi sua coleção de filmes - muito maior que antes - e decorei alguns títulos para assistir depois. Quando estava quase fechando a porta te olhei de novo e consegui entender: as pessoas passam, mas um pouco delas ficam na gente. Voltei e te deixei um beijo na testa, to levando seu cheiro comigo.




quarta-feira, julho 09, 2014

Voz viva


Eu acabei de descer do táxi e ainda não consigo digerir bem essa coincidência. Tanto tempo que não ouço falar de você, que eu não poderia imaginar que sua lembrança me apareceria assim, tão do nada, no meio da minha pressa e de bagagens pesadas, tentando não perder o ônibus.

O radinho do táxi estava alto, como sempre, e no meio da minha distração eu ouvi sua voz, pedindo um carro no endereço que eu sabia de cor. Mas eu nem precisava saber, a lembrança da sua voz ainda era viva o suficiente em mim, suficiente para que eu a identificasse no "alô". Naquela hora eu parecia estar com uma meia sufocando minha respiração enquanto as mãos suavam demasiadamente.
Eu acabei de chegar à rodoviária e já estou acomodada na poltrona do ônibus, mas minha cabeça foi embora junto daquele táxi. E eu não paro de imaginar como seria chegar à porta da sua casa dentro dele. Como você reagiria? O que eu falaria?

Faltam poucos passageiros para partirmos, mas meu coração ainda ta ressoando aquele endereço, aquela voz. Ta no repeat, toda hora eu fecho os olhos e ouço de novo, igual eu faço quando quero memorizar uma música. Para onde você estava indo? Não era para estar trabalhando? Será que você ta de férias e também estava indo viajar? E se eu descesse do ônibus e esperasse?

O ônibus já começou a andar e eu ainda estou imóvel. Meu coração ainda está acelerado como se toda nossa confusão tivesse acontecido ontem. Porque eu não peguei o outro lado da linha e respondi: "olha, sou eu, te amo, ainda quer voltar?". Mas eu já to indo embora, sabendo que eu agi certo, mas sem conseguir ser eloquente o suficiente convencer alguma parte de mim disso.

Já estou quase chegando, já passou a estrada toda e meu pensamento vaga sem sentido. Eu descobri que sei nada mais sobre seus passos, que você não sabe mais que discos eu ouço e que dificilmente a gente vai ter coragem de se ligar para saber do outro, por mais que não falte vontade. Resta-nos apenas aceitar que esse amor foi tão aleatório quanto tomar um táxi, tão breve quanto uma corrida e tão caótico quanto a hora do rush.

sexta-feira, junho 06, 2014

Jaz


Dribla o risco de vida
Egoísmo da semi-vida
Briga com o seguro de vida
Fim do ciclo da vida
Na dúvida sobre os paradoxos da vida
Sobra a morte...
Poxa vida

terça-feira, abril 22, 2014

Mini conto sobre dor, amor e amigos

Augusto hoje me chamou para tomar uma brisa. Nessas horas a gente guarda toda inércia que nos faz querer ficar em casa e vai, porque ver o mar acalma e um pedido amigo não se nega. Quando a gente ta mal, a gente pede aos céus alguma forma de passar por cima disso, e pra quem acredita, essa ajuda vem. Pra mim veio pelo meu amigo, que não me disse nenhuma palavra de conforto, mas me fez descobrir que, por vezes, nossas dúvidas não precisam de respostas imediatas.
Augusto também tinha uma dor, que eu não sei precisar na escala de dores se era maior ou menor que a minha. Mas não era a minha, o que me fez facilmente discorrer uma longa explicação do porquê a gente precisa passar por aquilo. O Augusto não ouviu, chorava demais para ouvir aquilo. E eu me surpreendi ao perceber que eu falava tanto era para mim mesma.
Deixei o Augusto com outro amigo e voltei pra casa pensando sobre as dores que a gente passa. Depois dessa tarde a minha é menos pesada. Não por que eu a dividi com alguém, mas por que, mesmo contrariando a matemática, ao somá-la a outra, ela diminuiu.
Augusto acha que agora ele precisa de um porre, uma viagem e um novo amor. Também acho que ele precise. Mas desejo, de verdade, que ele encontre alguém com outra dor para somar, e respirar um pouco mais aliviado ao entender o que eu entendi hoje.


quinta-feira, março 27, 2014

Talvez o fim

Para ler ouvindo



Não vou procurar seu cheiro pelos lençóis, porque é certo que vou encontrar. Aliás, preciso anotar na agenda de colocar toda a roupa de cama na lavanderia. Em períodos de abstinência não posso correr o risco de te achar perdido por aqui. As fotos já foram. Não viraram cinzas porque não queimo o passado, mas saíram do mural e foram morar em uma caixa junto a outras experiências mal sucedidas.

Já fumei mais que devia hoje. Eu sei que te jurei parar, mas ou eu me afasto de você ou do cigarro, dos dois eu não aguentaria. Sei que meu coração tá frágil, bateu mais que o normal dias atrás, mas o doutor não soube me dizer se foi saudade ou algo menos sério.

Já tomei meu chá da noite, por mais que preferisse que fosse uma cerveja naquele bar que a gente sempre frequentou e hoje não vamos mais, um com medo de encontrar outro. A separação é realmente confusa. Você também se confunde entre tentar se esconder e ser feliz?

A felicidade ainda mora aqui. Minha gargalhada ainda é escandalosa, não se preocupe. Falta algo que talvez nem seja você, ou nem seja pra ser suprida. Talvez nem fosse pra ser. Talvez o tempo tenha falhado, ou talvez ainda, esteja em um acordo com o destino, preparando algum outro ‘talvez’ mais exato.

Tanto talvez que no fim não deu certo. Mas, tenho certeza, não ter fim também não daria. 

segunda-feira, março 10, 2014

Escarcéu

Logo o mar
Que do doce sempre se origina e a cabeça lhe desatina,
Ao léu
Logo a maresia
Que úmida e fina lhe domina
E lhe faz réu
Logo a traquina
Com pose de bailarina, que nunca declina
E quer o céu
Logo ela
Que sempre desafina, mas virou maestrina
Em cima do bailéu
Logo essa menina
Que arde como uma tristeza fina, em minha rima submarina,
Virou troféu.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Monólogo dos quereres

Desculpe-me começar falando assim, sem floreio nem rodeio, mas há tempos uma dúvida me angustia: o quanto de beleza há no querer? Um querer desses cheios de certeza. Querer, moço, sabe como? Como quem quer um sorvete de chocolate em um dia calorento. Não, não é amar. Amar é outra coisa. Diferente, muito diferente. Amar é precisar. Eu não preciso, eu quero! Hã? Não há doçura? Pois pra mim só há. O que é mais livre: necessitar ou querer? Pois pra mim o querer é desprezado. Conheço quem ama sem querer, mas não é lindo querer amar? Não? É sim. O querer assume todos os riscos do que quer. O amor não! As pessoas amam o que a sorte diz, o querer quer o que escolhe, simples né?! Não, não é assim, não é um querer simples é "querer querer", "querer bem", "querer estar perto", conheço tanto amor que não quer, que não se suporta mais. Ainda há amor, mas falta o querer. Querer é escolher estar, mesmo que não haja nenhuma amarra que faça ficar. Não é magnífico? E quanto ao não querer? Ele é o maior desamor que existe, não concorda? Pois quando se ama e não se quer, não adianta mais o amor. Tô sendo racional? Talvez. Mas pra mim o querer é colorido, cheiroso e tem muito valor. Não acha, moço? Ei, volta aqui, me ajuda, não acabaram minhas indagações. Você não quer ouvir mais? Espera, ainda tenho outra dúvida, moço: E afinal, querer é poder?

quinta-feira, janeiro 30, 2014

Novos anos

Anne Frank
Todos os anos minutos antes do réveillon eu fico com uma angústia de deixar aquele ano ir embora. Bom ou ruim o apego com aquele jeito de fazer as coisas me ronda e me questiona se é mesmo preciso mudar tudo completamente. Mas eis que chega a contagem regressiva, e aquele coro do 10 ao Feliz Ano Novo empurra todo o medo pra lá e enche o peito de uma vontade de fazer tudo diferente.

Tenho minha relação íntima com o ano novo, e um misto de amor e ódio com mudanças. Algo mais incerto que desejar mudar e morrer de saudade do que já passou? Mas são de réveillons que vivo minha vida. É réveillon toda vez que eu estou diante de uma grande mudança, a decisão sufoca até começarmos a contar os segundos e depois alivia.

Réveillon é recomeço, e recomeçar é continuar sendo você, só que de outro ângulo. É fazer de cada primeiro de janeiro uma renovação e de cada dia um novo primeiro de janeiro. É ir, vir, voltar, contornar, (re)voltar e ainda se reconhecer nessa confusão que é sermos nós mesmos.

Hoje é o ano novo chinês. Amanhã também é réveillon, o de fevereiro. No próximo domingo é réveillon da semana e toda noite é um pequeno réveillon.  O que importa, na verdade, é ser novo, seja o ano, o mês, a semana, o dia ou a atitude.

 "Ano novo/ Anos buscando/ Um ânimo novo” - Leminski.

sábado, dezembro 21, 2013

Redundância



Juntei todas as frases soltas do bloco de notas do celular, revi todos os meios poemas que deixei no rascunho do email, parei para pensar sobre todas as dúvidas que ainda permeavam minha cabeça – mesmo depois de tanto tempo – e ainda não sei por onde caminhar com essa meia rima que existe sobre você.
O Tempo pela janela é poético, e eu poderia começar igual àquela música: “chove lá fora e aqui, faz tanto frio...”, mas o suor na minha testa avisa que talvez eu não combine com música nenhuma, e por mais que eu queira ter uma trilha sonora, dessa vez não vai haver uma música cantando a gente.
As canções clichês não combinam com nossa confusa relação. É que talvez a gente não sirva para ser contado, cantando ou declamado. No máximo seríamos personagens de algum filme de baixa qualidade, que os créditos sobem enquanto você ainda se pergunta “Qual é a moral da história?”.
Falta moral e falta amor. Próprio ou a reciprocidade. Teimosia tem, sobra inclusive. Sobra também aquele abraço e um monte de sonhos perdidos na minha gaveta. Nessa gaveta tem muita coisa, sentimentos e um desejo secreto, só falta mesmo é a coragem para rimar em outro soneto.

terça-feira, dezembro 10, 2013

Incômodo Inerte


Remexo os lembretes
Tento palavras que completem o pensamento
Bagunço a mente, 
A procura de algo que me acalme o momento, em vão

Não acho a oração que afronta
Pego uma dose por conta
Rabisco uma anotação
E tonta busco achar um espaço, um vão

Que me traga o vento no rosto
Que mostre a rua onde passa o amor
E aqueles doentes de paixão 
Que seguem sofridos e trôpegos, mas vão

E por aqui não sobra uma rima,
Que me responda à dúvida sem titubear:
Por que nesse caminho louco, por aonde eles vão
Eu resolvi ficar?

sexta-feira, novembro 22, 2013

Eu não conheço o seu sorriso

Para ouvir ♪

É nublado imaginar você. A gente se conhece há tanto, mas sei tão pouco. E você deveria saber que é deveras instigante para pessoas como eu, que falam da vida toda logo no primeiro encontro, deparar com gente que se veste de mistério. Tropeço sempre naquela vontade de saber mais.


Sei algo sobre seu gosto musical, muito pouco sobre sua família e quase nada que se passa por trás desses olhos carinhosos e mudos.  E ainda carrego comigo uma imensa dúvida sobre de onde vem tanta seriedade para encarar os sinuosos caminhos da vida.

Eu te confundo sempre com uma imagem embaçada que restou daquela nossa noite. Não defino os limites do que realmente aconteceu e do que criou minha embriaguez. Lembro-me de sorrisos perdidos, abraços quentes e muita coisa que pouco condiz com você. Quem era naquele dia, o meu ou o seu álcool?

Eu fujo do encontro dos seus olhos, tenho medo de me perder por eles, por curiosidade ou por afeto. Eu mantenho distância e respeito todas essas placas de “Não se aproxime” que você carrega. Eu controlo minha alma intrometida que sempre quis te perguntar quantos amores você teve na vida, e quantos deles você ainda carrega as dores.

Você tem medo do amor? Se tiver não se preocupe, eu não falo de amor, sobre esse assunto eu gastei com outro, falo de um dia te ver de sorriso frouxo, nas fotografias e na vida, seja lá o que essa vontade for.

quarta-feira, agosto 14, 2013

Há muito tempo, não mais

Para melhor compreensão do texto clique aqui
E ouça isso aqui

Você ainda se lembra de como era a gente? Pergunto porque, aos reler algumas coisas nossas, descobri que eu também não lembrava mais. A gente se acostuma com tudo, e eu me acostumei com você de longe. É estranho te rever, você continua do jeito que eu deixei e tão diferente ao mesmo tempo. Cheiro, gírias, e o jeito de me arrancar gargalhadas, tudo igual, nem parece que não somos mais aqueles recém formados cheios de medo de encarar a vida. 

E a encaramos sem perceber, com a mesma distração que esquecemos nossos bons momentos. Como eu não queria, nossos passos ficaram distantes, por mais que tenham encurtado os quilômetros. As fotos descoloriram, nossa noite não clareou e nossas almas vagam por caminhos tão opostos que nunca mais se viram.


E eu, que cheguei a achar que nossas paralelas se cruzariam outra vez, vejo hoje o tamanho da estupidez que é reviver um amor que já se desfez.


"Te quero/ Dizer que não quero/ Teus beijos nunca mais"