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terça-feira, julho 02, 2013

Mas que perder seja o melhor destino



Eu não sei em que cruzamento da vida a gente se perdeu. Sei que, por mais que não tenha passado tantos dias assim, parece que foi há meses. A lembrança fica demasiadamente distante cada vez que tento lembrar. Ela esfumaça tanto que eu tusso e acho melhor deixar pra lá, essa fumaça me incomoda tanto quanto a do cigarro, agora que sou ex fumante.
E nesses curtos quarteirões que eu percorri sozinha eu descobrir um novo mundo. Onde faz sol, bate uma brisa gostosa a noite e vira e mexe cai uma estrela cadente, tão lenta que consigo fazer alguns pedidos. Eu mudei também. Foi necessário me tornar outra pessoa, para que, ao tentar lembrar da gente, eu estranhe não só você. Clareei os cabelos, tá com um tom de morena de praia (talvez para combinar com o sol constante), ando com eles ao vento agora, por mais que já tenha crescido o suficiente para se prender sozinho em um coque.

Agora eu uso batom. VERMELHO, acredita? Pois é, nem eu! Mas combinou bem com as unhas. Tô descobrindo alguém que vivia aqui em mim e que nunca teve oportunidade de aparecer. Alguém tão calma e serena que nem se compara a que existia antes do nosso desencontro. Diminuí o café, troquei de perfume e estou até planejando uma viagem à Europa!
Eu não sei onde que nos perdemos, mas provavelmente foi em uma esquina bonita, em que eu me distraí com as flores e você com o sol se pondo. Foi tão natural e mútuo que foi verdadeiro, foi quase feliz, quase sem dor, de uma forma que ambos desejávamos.
Mas, apesar das mudanças, ainda uso aquele all star velho e sujo. Se um dia reconheceres meus passos, em uma esquina qualquer, não se acanhe, me grite e me dê um tchau animado. Vou entender dessa forma que estás feliz. Caso eu responda do mesmo jeito, mantenha essa mesma certeza sobre minha vida.
Se sentir saudade, lembre-se que nos prometemos um futuro feliz, independente de qualquer coisa. Trabalhe para cumprir essa promessa, ela será nossa mais bela história de quase-amor.

sábado, junho 29, 2013

Volte, se quiser





Primeiro você me azucrina, me entorta a cabeça...


Você sempre chega assim, fazendo cara de cachorro que caiu da mudança, falando manso e pedindo carinho. Tem tanto tempo, mas eu ainda acredito. Te coloco no colo, contorno seu rosto com a ponta dos dedos, fecho os olhos e me imagino ali, todo dia. O arrependimento vem logo depois, sempre junto com os primeiros raios de um novo dia em que ninguém sabe como agir.

Eu já devia ter me acostumado com esse vai e vem rotineiro, essa fuga apressada que sempre termina em um contorno que nos leva de volta ao início - Início? Talvez a inexistência do fim seja explicada pela falta do começo. 

Enquanto você vai eu dou com os ombros e espero. Vez ou outra eu espio sem querer ser vista, certificando-me que você encontre a volta. Não estou certa, mas creio que você já caminhe com a certeza do retorno, porque toda vez é assim, você vai, mas sempre volta. Volta pro meio, da história, do caos ou de nós, não sei exatamente. Sei que volta, mais ainda não sei se é o certo.

No nosso meio a gente nem precisa de explicação, nossos pensamentos caóticos se aceitam e nossas vozes exageram nos pedidos de desculpas, mesmo que nenhum de nós consiga expressar pelo quê se arrepende, se é por ter ido ou por ter voltado.

Nosso ciclo vicioso tá gasto, não demora e ele já vai falhar e não vamos mais caber no meio de nós. Mas se ainda não for dessa vez, e você voltar, não se esqueça de fazer aquele seu jeito de implorar cafuné, tá?


...Há um lado carente dizendo que sim
E essa vida da gente gritando que não
 

terça-feira, junho 11, 2013

É Culpa de quem?


É culpa dos dedos, que te puxam pra perto, 
que buscam conforto e um pouco de ar.
Os dedos que tamborilam a mesa, 

e agem com destreza, para impressionar.

É culpa de um peito pesado, cheio de mágoas e tabaco,
carregado de muito bem querer.
Um peito calado, que quer sempre um trago

e um pouco mais de você.

É culpa do cheiro, que não sai de mim, 
que gruda na roupa, mãos e cabelos.
Um cheiro de ontem, de café passado, 
de amor dormido e em flagelos.
É culpa do vício, que não domino, 
que perturba e não deixa em paz.
Um vício antigo, tão cheio de abrigo 
e que me deixa incapaz.

É culpa dos 4.700 elementos tóxicos, 
presentes na sua mente e no meu cinzeiro.
Substâncias desconhecidas, que entorpecem 
e me colocam em um picadeiro.

Não existem níveis seguros 
para consumo destas substâncias.
Um abraço, um sorvo, um maço 
e uma cabeça cheia de inconstâncias.

terça-feira, abril 23, 2013

Não há tempo que volte, amor




Eu ainda lembro com detalhes daquele nosso encontro. Era tão “Manuel Carlos” o momento, e as insistentes trocas de olhares daquelas cenas piegas e apaixonantes mereciam até uma bossa de trilha sonora. Na verdade, não lembro com tantos detalhes assim, não me atrevo a descrever sua roupa ou que amigos te acompanhavam, mas saberia ainda descrever todas as particularidades daqueles olhos que sorriam.

Parecia mesmo uma novela das nove, mas a vida nos transformou em um grande dramalhão mexicano, daqueles de nomes duplos e triângulos amorosos, pecando apenas na falta da tequila, para ajudar a descer tanta coisa goela abaixo.

Eu, às vezes, me pergunto se eu faria tudo de novo. E estou certa que sim, só que dessa vez acertando em todos os pontos que errei. Não enviaria aquele sms, deixaria o seu telefone na blacklist por mais uns 3 dias naquela outra briga e teria muito mais atitudes maduras, tão difíceis de alcançar no calor dos 20 anos - por mais que já exijam muita seriedade de nós nessa idade. Esconderia meus vícios em vez de tentar camuflar minha insegurança através deles e ocultaria mais ainda minhas fragilidades.

Com uma chance de voltar atrás eu seria mais dura, em uma vã tentativa de que você se derretesse. Eu seria bem menos patética (e olha, patética foi uma coisa eu nunca me cansei de ser, enquanto pautava minha vida na sua). Talvez mantivesse a postura de tentar aprender sobre o que te interessava, para nunca perdermos o assunto, mas eu tomaria mais cuidado em ir sem medo querendo me jogar de cabeça naquela cachoeira, querendo te levar comigo. Perceberia que você estava escaldado da água fria.

Ainda assim, se pudesse voltar atrás, eu continuaria ignorando seus avisos de “não se aproxime”. Também saberia desse seu insuportável jeito de não falar “não” mas inventar tantas desculpas quanto eu arrumasse solução. Pararia na primeira, e entenderia que você não tava nem um pouco afim, por mais que preferisse dizer que “queria muito ir, mas tinha que almoçar com a mãe hoje”.

Voltando atrás eu saberia exatamente como lidar, o que falar e como te fazer sorrir, te conheceria como se eu convivesse contigo por alguns anos. Hoje eu tenho aqui um dossiê, um manual de instruções, e quase um artigo da Wikipédia. Sei de tanta coisa e ainda assim continuo errando em tanta lição primária, com você e com outros. Não sei se é por falta de sorte, ansiedade ou qualquer coisa que valha, mas sei que mesmo que tempo voltasse, eu ainda não teria você.

Nota da autora (ou do melhor amigo da autora):
- Só acho que tem uma frase que tá errada.

- Qual?
- Acho que deveria ser:
Não sei se é por MUITA sorte, ansiedade ou qualquer coisa que valha, mas sei que mesmo que tempo voltasse, eu ainda não teria você.

quinta-feira, abril 04, 2013

Muito Pouco

Que Cazuza me perdoe por nunca ter vivido esse amor exagerado, eu não sei deixar de viver porque você não me ama. Sofro uma vez por mês, choro quando excedo no álcool, mas chega. Não sei se é por falta de tempo, amor próprio ou preguiça mesmo, mas não rola. Tenho dificuldade de aceitar esse amor que usa o pulmão do outro pra respirar, eu tenho os meus aqui, embora possivelmente já um pouco debilitados pelo tabaco. Minha vida não acaba se você não me amar, ou nesse caso, já teria morrido pelo menos umas cinco vezes, e também não acho que a vida não presta só porque você não gosta de mim. Não que seja fácil, só não é impossível. Aqui em volta tem amigos, família, risadas e um cachorro fiel. Falta o amor? Claro que falta, mas tem todo o resto. E dou valor ao resto, já que é recíproco. Mas liga não, é que eu sou assim mesmo, eu choro pouco, esperneio pouco, tenho pouco ciúmes, e te amo muito, nesse meu jeito pouco.